terça-feira, 4 de março de 2008

Então... Literatura Baiana

Há casos de escritores novos que surgem até dentro de um cemitério, por que não aconteceria na Bahia? Óbvio que existem, muitos sabem seus nomes, lêem seus blogs, repassam o link quando a coisa vem e explode ou deixam de comentar quando a poesiazinha não funcionou. Não é onde Breno bate, não se trata de pirraça gratuita. O que acredito que ele sinta, e que em mim chega chacoalhando as têmporas, passa pela ausência de impressão literária na cidade. Classe média minúscula, falta de incentivo à leitura, problemas no repasse de verbas para a educação (e na gestão de João Henrique aconteceu com peso. Escolas de bom porte, como o Angelino Varela na Garibaldi, acabando), mas também a pouca interferência dos escritores. Fazemos pouco. Para uma Salvador que precisa do triplo de força dos autores em relação a uma Porto Alegre, fazemos muito pouco. E não estou pensando no dever de existir um front para peitar qualquer outro estado e não deixar que nove dos dez finalistas de romance na Jabuti não sejam sulistas ou mineiros, não, isso é ainda mais pra frente. Prego para agora pelo menos um quadro sustentável, que os soterapolitanos sintam ao redor do corpo, nos músculos, dentro do tênis, entre os dentes, uma sensação de vontade de potência acontecendo por aí e latejando pela Literatura. A sensação é o mínimo, nem que seja como uma dessas lembranças que nos chegam à cabeça e não conseguimos completar. O ar precisa ser mais carregado de um fluxo de ocorrência. Vejam o exemplo do cenário do rock aqui. Trata-se de uma capital arreganhada para o turismo e para a festividade axé music, com parcos espaços para show, com bandas tendo que tocar dez vezes de graça antes do primeiro cachê de couvert, e mesmo assim se segura, desperta um efeito de existência. Posso não saber um terço dos nomes das bandas de rock locais, ir a apenas uma apresentação a cada dois meses, mas sei que acontece, sinto que corresponde de algum modo à minha vivência.

Estamos vagos.

6 comentários:

Anônimo disse...

de tudo isso infelizmente eu só consigo pensar: meu deus, que marca tosca.

Saulo Dourado disse...

A marca tosca precisava de alguém para pensar nela. Bom que tenha sido você a escolhida. Encaixou.

Palavras Cruzadas disse...

Saulo,

Acho que o problema não é a falta de autores, é a falta de leitores. Acho que não precisamos competir com nenhum estado. Eu digo isso porque já em 1999 eu tentava levantar a bola da literatura aqui, com e-zines e etc. Cheguei à conclusão de que precisamos agitar as coisas localmente, sem preocupação com o resto do Brasil. E ser sincero na nossa arte. Te digo que iniciativas questionadoras como a sua, e gente que conduz projetos heróicos de bibliotecas comunitárias e eventos literários no interior do estado da Bahia, é que criam uma cena literária. Retroalimentação local é muito mais importante que concorrer com os escritores do resto do Brasil, até porque o papel periférico de Salvador no cenário nacional acaba nos afastando da cena literária comentada por meia dúzia de jornais do sudeste, um organismo minúsculo e altamente segmentado, ou, como dizem alguns, um clubinho de escritores que elogiam uns aos outros e se auto-referenciam, extremamente unidos mas com pouquíssima substância. Cada geração de escritores baianos tem suas características, e me parece que a de agora tem como primado a inquietação. Muito bom. Melhor que contos sonolentos e conservadores sobre um interior que não existe mais, como apreciam os cânones da nossa academia.

abraço,
Patrick Brock

Álvaro Andrade disse...

O estranho na Bahia, e meu ver, e não se notar algo como um movimento. As pessoas não se conhecem como deveriam, não interagem também. Ás vezes, descubro entre blogs escritores de longa data sobre os quais nunca tinha ouvido falar. É errado, pois somos contemporâneos e devceríamos estar trocando experiências, nos criticando, nos conhecendo, ao menos.
Talvez falte algo como um "encontro anual de (novos) escritores baianos", enfim.
É preciso se movimentar.

Anônimo disse...

Assino embaixo, mas o correto é soterOpolitano, ok?

Unknown disse...

verdade, tem cada escritora gata que a gente nem conhece.